A Cuia e o Poeta - Por: Adaelson Alves Silva




Dr. Adaelson Alves Silva , piritibano, radicado no Paraná, médico Nefrologista. E autor do lindo texto "A Cuia e o Poeta ".

Hoje começa mais uma parceria do Blog Ian Notícias. Veja o terceiro episódio da Série "Um Dedo De Prosa".

VEJA "A Cuia e o Poeta"

Gilson, neto de Bilu, comprou, um pequeno sítio próximo a Piritiba, que recebeu como nome de batismo a “Cuia“ Como tudo que é novidade, “Vermeinho” (Gilson) morria de amores por aquele pedaço de terra estorricada pelo sol clemente. É certo também que lá havia uma pequena mina d’água, que produzia água em quantidade quase insuficiente para que o galo, as duas galinhas poedeiras e uma saqué saciassem a sede.

Um ano que choveu um pouco, Gilson plantou meia dúzia de pés de milho, que cresceram lindos e formosos. Antes da colheita, o bode do vizinho furou a cerca e comeu todas as espigas e também as folhas do milharal.

Muito chateado, o nosso amigo resolveu vender a “Cuia”. Pediu para o nosso poeta Carlos Barreto fazer um anúncio da venda da propriedade que só estava lhe dando muitas despesas e dores de cabeça.

Carlos Barreto, o nosso poetinha piritibano, que conhecia muito bem a propriedade do amigo, redigiu o texto que reproduzo: "Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros ao amanhecer, no extenso arvoredo. É cortada por cristalinas e refrescantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda”.

Semanas depois, o poeta encontrou o seu amigo e perguntou-lhe se tinha vendido a propriedade.

-"Nem pensei mais nisso", respondeu ele.

"Quando li o anúncio que você escreveu, percebi a maravilha que eu possuía.” 

Algumas vezes, só conseguimos enxergar o que possuímos quando pegamos emprestados os olhos alheios.

Agora que você terminou a leitura quero esclarecer duas coisas importantes: a primeira é que o fato narrado talvez nunca tenha acontecido e a segunda é que o anuncio da venda do sítio foi feita por Olavo Bilac. Só tenho certeza que a “Cuia” de fato existiu.
 
Aproveito para afirmar que , segundo Nelson Martins, o pai, “a Cuia” que deu o nome ao sítio do meu amigo, foi uma das poucas coisas que Deus não criou.

Um dia eu lhe perguntei como ele tinha essa certeza. Ele respondeu  de bate pronto: Deus criou a cabaça e o homem a dividiu ao meio, criando assim a cuia.

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